Growth Hacking no Instagram: promoção social infinita a custo zero

O Instagram é uma das redes sociais que mais tem crescido nos últimos tempos, nomeadamente entre as camadas mais jovens. Quando se procura pela palavra-chave “Instagram” na loja de aplicações, os resultados que aparecem podem surpreender os mais desatentos: uma miríade de aplicações para conseguir seguidores, comentários e likes.

E como é que estas funcionam? É muito simples, você gosta da página de outra pessoa e recebe de volta um gosto de outra pessoa qualquer. É claro que não há almoços grátis e estas aplicações têm que fazer dinheiro, pelo que a relação não é de um para um e, isto é, não se recebe um like por cada like.

Mas se tiver mais “estrelas/moedas/corações” pode trocá-los por likes. E, claro está, é possível comprar estas “estrelas”. Na prática, tornam possível comprar likes. E likes de verdadeiras pessoas. Agora o melhor, ou pior, vem a seguir.

screen568x568[1]Trocar dinheiro por presença social não é nada de novo e, não é segredo para ninguém, o melhor investimento de todos no momento que escrevo este post são, de facto, os anúncios no Facebook.

Mas onde está afinal o Growth Hack neste caso? Bem, é que as referidas aplicações guardam localmente os ‘estados’ dos likes/comentários/seguimentos que você fez, e, para quem tem um pouco de conhecimentos de informática e acesso aos ficheiros da aplicação, mudar estes ‘estados’ muitas vezes é tão fácil quanto alterar num plist algo como estrelas=2 para 2000.

E portanto, com 2000 mil estrelas, receberá dois mil likes de pessoas reais. Uma das aplicações mais populares e mais hackadas é o Famousgram, mas existem muitas outras que também foram hackadas como o Like Potion o Magic Liker ou o follow4follow.

Ultimamente e para se defenderam, estas app passaram a detectar os iPhones que estão desbloqueados (jailbreak). Felizmente, ou infelizmente, houve quem se dedicasse a criar uma maneira de “esconder” que o telemóvel está desbloqueado, uma vez que existiam cada vez mais aplicações a negarem instalações em telemóveis supostamente mais fáceis de serem atacados, como aplicações bancárias. E estas app voltaram assim à estaca zero.

Se aconselho fazerem-no? Fica com a vossa consciência mas nunca esqueçam os dois populares ditados: “Quem não arrisca, não petisca” e “Quem tudo quer, tudo perde”.

Update 14 de Abril de 2015: Acabou a brincadeira. No mundo do Growth Hacking, há que ser rápido, muito rápido!

O ASO, as palavras-chave e o SensorTower: caso prático

ASO significa em Inglês “app store optimization“, optimização para as lojas de aplicações [pt], aplicativos [br] ou apps [en]. Trata-se de um conjunto de técnicas que visam melhorar o ranking de uma app no resultado de uma procura, tal como o SEO fazia para os resultados das procuras por sites nos motores de busca. As duas maiores lojas são o Google Play para Android e o iTunes para iOS. Depois há a Amazon, a loja da Microsoft e as inúmeras lojas Android chinesas.

A importância do ASO tem crescido na medida do crescimento do número de apps criadas. E o crescimento tem sido exponencial. O ano de 2014 fechou com mais de 1,43 milhão de apps disponíveis na Google Play, enquanto o iTunes ficou pelos 1,21 milhão.

No meio de tantas apps é crucial garantir que uma app seja facilmente encontrada pelos utilizadores. É com as técnicas de ASO que conseguimos optimizar uma app e garantir que esta fique visível para os utilizadores poderem fazer o seu download e utilizá-la.

Para além disso e de acordo com a Forrester Research, 63% das pessoas afirma que teve conhecimento das apps que actualmente usa em iOS através da pesquisa na loja da Apple. No caso dos utilizadores de Android este valor representa 58%.

nielsen.aso

Ficar em destaque nas lojas para ser facilmente encontrado é, portanto, ponto fundamental para o sucesso uma app.

ASO inclui técnicas de optimização do título, palavras-chave, descrição, categoria, ícones, screenshots, vídeo de promoção, downloads, opiniões e avaliação (ratings e reviews), etc. No caso do Google Play, o clássico link building também ajuda.

Usar o ASO para mobile growth-hacking dá, portanto, pano para mangas. No entanto, o que gostaria de focar neste artigo e um dos aspectos mais importante de todos, é a optimização para as palavras-chave. Nada melhor do que explicar com um caso prático e para isso, vou fazer uso do site de referência na área, o Sensortower e relatar uma experiência real de ASO na minha app “Frases para Fotos”, para a loja da Apple.

O primeiro passo foi escolher o mercado brasileiro (principal target) e adicionar a minha app:
sensor1

Depois, investigar a principal o que achava ser a minha palavra-chave prioritária: “frases”. Assim e para uma procura por palavra, a minha app aparece neste em 40º lugar. A app que está em primeiro é uma aplicação chamada “”Frases””. O Visibility Score, em cima à direita, indica a visibilidade da minha app, para procuras na loja da Apple do Brasil. Em baixo aparece o tráfego estimado para essa palavra-chave (de 1 a 10) que é de 6.5, a dificuldade em rankar para essa palavra-chave, o número de apps que rankam para essa palavra-chave, assim como o lugar onde está a minha app.

sensor2

Uma vez que a app “”Frases”” está no topo da procura para a palavra chave “frases” e não a minha, é de supor que estará muito mais acima nas tabelas das aplicações mais populares na nossa categoria, “estilo de vida”. Partindo do principio que, tal como eu, não terá feito nos últimos tempos campanhas de compra ou angariação de tráfego. (É bastante antiga, portanto parto do princípio que não) E o que mostra o gráfico?

sensor14

Que afinal, e apesar de estar em primeiro lugar para a nossa palavra-chave principal, não tem conseguido subir muito mais que a minha no tabela das apps mais populares.

sensor13

Comparemos então as palavras-chave. Como se vê, as nossa palavras chaves são bastante semelhantes. O problema parece estar aí, é preciso encontrar outras palavras-chave, com mais potencial.

sensor5

Ainda antes, posso ainda tentar outras palavras-chave que já uso, como por exemplo “fotos”. E verificar que estou em 150º lugar: é uma palavra popular e bastante difícil. Melhor partir para outra.

sensor6

Decidi então procurar novas palavras-chave alvo, começando pela plataforma de optimização do SensorTower.

sensor7

Aqui verifiquei que ainda tinha mais palavras-chave para usar (o limite é 100 caracteres), e recebi conselhos que tantas vezes se esquecem. Por exemplo, que não vale a pena repetir palavras chaves que já estão no título, que as palavras demasiados longas são desaconselhadas – de facto quem procura por “fotografias” em vez de “fotos” – e recebi sugestões de outras palavras que faziam sentido na minha app.

sensor8

É importante escolher boas “palavras semente” para receber boas sugestões. Repare-se como agora recebi de volta as boas palavras-chave “pensar” ou “vida”, esta última com um tráfego bastante razoável de 5.1 e uma dificuldade de apenas 1.3.

sensor9

Ainda na senda de novas palavras, o módulo de sugestões revela-nos as apps que estão no topo para as diferentes palavras-chave assim como sugestões e, muito útil para quem está à procura de ideias para uma nova app, as palavras que estão a ficar populares. É neste módulo que podemos consultar os valores para qualquer palavra-chave que entendermos introduzir.

sensor10_research

É assim que acabo por descobrir uma excelente palavra-chave: “pensamentos” com tráfego de 5.2 e uma dificuldade de quase zero. Uma dificuldade de quase zero significa que quase nenhuma app está a apostar nessa palavra-chave e que, portanto, a primeira que o fizer receberá tráfego garantido pois irá por certo a rankar para ela.

sensor12

Para essa palavra chave, a app que aparece primeiro é a “Pensamento do Dia”.

sensor16

E, de entre as quatro apps sobre frases que estão concorrente cotadas na tabela das apps mais populares, é sem dúvida essa a app que devo espiar quais as palavras-chaves que utiliza e tentar replicar o mesmo, uma vez que é a quem tem a melhor classificação. Essa é a app a abater!

sensor17

Reparem, como, por dois caminhos distintos – encontrando boas palavras e verificando quem está a receber o tráfego delas ou procurar apps concorrentes, verificar quais as que estão melhor no ranking e espiar as palavras que, propositadamente ou sem saberem, estão a usar – cheguei à mesma conclusão: atirar-me à palavras-chave usadas pela app “Pensamento do Dia”.

sensor15

É claro, reiterando mesmo método mais algumas vezes, fui capaz de encontrar algumas boas novas palavras-chave que ainda não estava a usar. Para além de “pensamentos”, temos “sentimentos”,”vida”, “reflexão” ou “sabedoria”.

sensor18

São estas as palavras-chave que pretendo usar no próximo update da minha app e depois cá estarei para vos contar como correu a experiência.

Facebook e Twitter reiventam o login e o linking

Há algo novo no ar. Facebook e Twitter estão a tentar reiventar o login e o linking e as oportunidades de growth hacking, para os primeiros que as aproveitarem, são gigantescas!

digits-easily-authenticate[1]

O primeiro chama-se digits e vem do Twitter. Trata-se simplesmente de fazer login sem a necessidade de emails, nomes de utilizador ou passwords. Basta um número de telefone, e um código sms! E o melhor é que poderá usar este serviço gratuitamente na sua app. A integração é fácil e rápida.

B0rY77qIYAAPLMW

A segunda chama-se Rooms e chega-nos do Facebook. É uma app de grupos de chat anónimos e a novidade é como os convites para as salas de chat, que qualquer um pode criar, estão a ser feitos. Depois de criar uma sala de chat, aparece um código QR que pode ser divulgado por qualquer lado como uma imagem comum. Para entrar na sala de chat referente a esse QR, e uma vez que essa imagem do QR esteja no nosso écran do telemóvel a partir de um lado qualquer, instagram, twitter, facebook, é só fazer um screenshot do écran! Depois a app Rooms irá fazer um scan das fotos recentes, encontrar essa foto com o QR e assim entramos nessa sala de chat. Há quem esteja dentro de uma sala de chat a partilhar códigos QR para outras salas, criando um novo método inovador de linkar entre diferentes “sítios”. As possibilidades de growth hacking são enormes. De onde virão as primeiras ideias? O que está à espera?

Como a aplicação Frases para Fotos chegou ao terceiro lugar do top nacional

Lançar com sucesso uma aplicação para telemóveis. Quase todos os textos e livros sobre o tema, não falham nos conselhos mais comuns: conhecer e estudar o mercado à qual se destina, verificar se tem potencial, se há muita concorrência, a aplicação idealmente deverá resolver um problema, ter um layout apelativo, ser user friendly, etc.
No entanto, e que dado o exponencial número de novas aplicações que aparecem todos os dias, há um conselho que considero agora ser mais importante que todos os outros: como chegar aos utilizadores.

Tem disponível um orçamento razoável destinado a instalações pagas? Tem uma página ou um fórum que domina o nicho, ou outra fonte com bastante tráfego direcionado? Irá dar uso a uma técnica eficaz e recente de growth-hacking ou loop viral / social? Se a sua resposta é negativa a todas as três perguntas anteriores, esqueça a aplicação e procure uma outra ideia.

frasesFeature3

O Frases Para Fotos (FF) nasceu precisamente pela observação do comportamento, nas redes sociais, de um grupo relativamente grande de pessoas em relação a conteúdo relacionado com frases feitas, provérbios, poemas e citações. São bastante populares e o grau de partilha desse tipo de conteúdo é bastante superior à média. Existem páginas no Facebook exclusivamente dedicadas a frases que têm mais de dois milhões de fãs a partilhar ativamente cada um dos seus posts.

Também eu detenho uma destas páginas de frases com cento e trinta mil fãs. Está portanto respondida a questão anterior: onde arranjar o tráfego inicial.

Desde o início de 2012, altura em que registei o domínio FrasesParaFotos.com que pretendia lançar esta aplicação. O projecto começou a avançar muito lentamente, mea culpa, admito. O facto de o Facebook ter em meados de 2013 diminuído grandemente o alcance das páginas deixou-me algo apreensivo e coloquei mesmo o projecto em segundo plano. Há uns meses, decidi completar alguns projectos que tinham ficado a meio e este foi um deles. Em boa altura o fiz, uma vez que no início de Setembro o Facebook deu mais uma machadada na promoção de links através de posts em páginas. O Facebook parece decidido a tapar, um por um, todos os exploits de Growth Hacking que se tornam populares, de modo a maximizar o seu lucro.

A maneira mais efectiva de promover uma página – um link externo – em páginas do Facebook foi até essa altura a de enviar uma imagem e, na descrição da imagem, colocar o link pretendido. Dessa forma os fãs partilhavam o link sempre que partilhavam a imagem.

No caso do FF, e para além da minha própria página de frases, contactei também alguns dos donos de grandes páginas de frases e acordei, por um preço, alimentar as páginas com imagens de frases e com o link para o FF. O texto usado foi

“Aplicação Grátis Frases Para Fotos + Promoção: use código “XYZ” para desbloquear todas as frases. (Válido até 5/Set)”

Claro está que, a validade era sempre apenas o próprio dia, de modo a criar o sentido de urgência “hoje é o último dia”.

As imagens, partilhadas de hora a hora, vinham directamente de um meu outro projecto o fbpictures.com que dispõe de uma larga base de dados de imagens em várias categorias. Para além da base de dados de fotos com frases, há fotos com frases que são criadas no momento a partir da mesma base de dados de frases do FF, usando um outro script meu que sobrepõe a uma imagem o texto da frase usando uma font (tipo de texto) e layout aleatórios.

No total gastei €50 alugando duas grandes páginas sobre frases, já depois de negociado e ajustado o preço para o alcance mínimo que as páginas têm hoje em dia. A campanha ocorreu durIMG_8148ante alguns dias e chegou para levar o FF ao topo. A partir daí o número de downloads aumentou bastante e a maior parte já era resultante do estar perto do topo. É importante portanto, vencer a inércia inicial e impulsionar para o topo de modo a que se torne visível. A partir daí a aplicação tem que valer por si, ou o valor necessário para chegar mesmo ao topo deixa de fazer sentido em termos de ROI. O FF chegou a numero 3. Pena é que a appannie para Portugal, ao contrário de outros países, só faz crawl da loja portuguesa uma vez por dia, pelo que não apanha, como foi o caso, os picos que possam ter. Noutros países é de hora a hora. Assim, o máximo que registou foi um 5.º lugar. Também por engano apaguei o meu screen-shot da terceira posição, mas tenho um com o quarto lugar. :)

O dado mais importante retirado de toda a experiência foi ficar a saber o número exacto de downloads que são necessários – naquela altura – para chegar ao topo da categoria “Estilo de Vida” e o número para chegar ao topo das aplicações gratuitas, em Portugal. Assim como ficar com uma ideia para o Brasil, pela evolução e correlação. Em boa hora decidi finalizar o FF pois o Facebook preparava-se então para dar a machadada final neste tipo de promoção usando páginas. Assim, a 25 de Agosto anunciou e, pelo que observei, a 5 de Setembro efectivou, o que chamou da limpeza do click-baiting do newsfeed. Dito de outro modo, todos os posts de imagens com um link na descrição passaram a ter um alcance completamente ridículo. Ao seja ninguém mais os vê.

FFranking

Salta à vista como o Facebook puxa cada GH para dentro do seu próprio sistema. Por exemplo, onde antes se utilizavam técnicas de GH no Facebook para forçar logins e recolher emails, para posteriormente contactar as pessoas de acordo com o perfil, hoje em dia ainda é possível chegar às mesmas pessoas mas agora a identificação dessas mesmas pessoas fica do lado do Facebook, de modo a que dele estejamos sempre dependente. E claro está, para contactar os utilizadores da NOSSA aplicação temos que pagar ao Facebook. A isto chamou-se “criar audiências”.

Outro exemplo: no início da promoção por audiências, criou-se um negócio paralelo de comprar ou rippar boas audiências, e mais uma vez o Facebook acabou com isso e agora as pessoas da sua lista têm mesmo que estar ligadas à sua aplicação. Não há como fugir, tudo tem que sempre ser através deles. Nem um dólar pode escapar.

Assim, e também por bons resultados que tenho tido noutros projectos, pretendo testar de seguida a utilização de anúncios do Facebook, por várias razões. A principal tem a ver com o facto de que utilizei na aplicação os novos “app events” que permitem comunicar ao Facebook tudo aquilo que os utilizadores estão a fazer na minha aplicação. E a comunicação mais importante é que instalaram a aplicação depois de verem um anúncio e, ainda mais importante, quem é que gastou dinheiro na aplicação! (para entendidos, é a pesca às “whales”)

Desse modo, começo a criar uma base de dados de utilizadores que instalam aplicações quando vêm anúncios e que, ainda mais importante, que gastam dinheiro em aplicações. Como se sabe estes utilizadores valem ouro e andam na ordem dos 2% do total. Assim e uma vez na posse dessa audiência (quer dizer o Facebook é que possui para que eu possa usar) posso usá-la como target para próximos lançamentos. Antes de outras aplicações também, mas agora infelizmente apenas da que lhe está associada, não ser que haja uma maneira de dar a volta a isto, mas é melhor não revelar para não diminuir o tempo que levará ao Facebook a fechar mais este “exploit”.

O FF esteve sempre no topo ou perto do topo durante quase dois meses. Durante essa altura o rendimento foi bastante razoável, tanto em iap como em anúncios. Em termos de iap, o FF dispunha de três opções para venda e um “pacote total”. Como é óbvio o preço do “pacote total” é bastante mais atractivo do que a soma dos três juntos, o que o torna irresistível.

Entretanto o Facebook Messenger tornou o número de downloads necessários para chegar ao topo da tabela de gratuitos – em todos os países – completamente inacessível ao comum dos mortais. Mais recentemente, o lançamento do iOS 8 (muitas novas aplicações de referência) veio dar a machadada final ao inflacionar abruptamente os números necessários para se chegar aos topos.

Para reactivar os utilizadores adormecidos usou-se uma notificação que disparava ao fim de uma semana sem usar a aplicação com um “Há uma nova frase à sua espera no FF”.

Para construir o branding, a todas as imagens partilhadas pelo FF nas redes sociais é automaticamente adicionado o watermark frasesparafotos.com

Fundamental ainda foi a decisão de optar pela possibilidade de actualizar remotamente parte da aplicação, sempre que necessário. É usado para validar e alterar on-the-fly os códigos promocionais mas também foi graças a essa injecção remota que foi possível alertar os utilizadores do iPad de um pequeno bug e oferecer uma solução temporária de imediato (enquanto se esperou pelos 7 dias que a Apple leva em média para aceitar uma actualização)
Aliás, os únicos reviews de 1 estrela foram precisamente devido a bugs, pelo que é muito importante evitá-los. E na Apple, ao contrário do Google Play, nem é possível responder aos reviews.

Bonus: a propósito de reviews, uma última dica que permite receber apenas reviews de 4 e 5 estrelas e que também estou a usar. Contruir um pop-up com seis opções, de uma a cinco estrelas e um “agora não” e redirecionar os utilizadores de acordo com a classificação. Clicou em 1, 2 ou 3 estrelas? Direcionar para um email dos criadores da aplicação em que se poderá queixar sobre o que não gostou. Quatro ou cinco estrelas? Redireccionar para a loja da Apple!

Num próximo post espero explicar como recuperei o ranking, falar de ASO, comentar a – má- experiência na loja da Google e as versões do FF noutras línguas. Pretendo começar com um budget curto em Facebook ads, fazendo target a audiências semelhantes a quem instalou e comprou anteriormente a aplicação.

 

 

Como chegar ao topo das aplicações pagas na loja da Apple: growth hacking agressivo

As recentes alterações do algoritmo de ranking da loja de aplicações da Apple têm dado muito que falar. Procurando tornar o topo da tabela das melhores aplicações mais dinâmico, ao mesmo tempo que tenta minimizar os efeitos de técnicas de promoção compradas e pouco éticas, a Apple tem feito alterações radicais ao seu algoritmo nos últimos meses.

Um dos primeiros a tirar partido disso mesmo, inadvertidamente ou propositadamente, foi o Flappy Bird, na tabela das aplicações gratuitas. Esta tem sido, historicamente, uma das tabelas mais fáceis de manipular, dado que conseguir estrelas e downloads não envolvem pagamentos à Apple.

A tabela das aplicações pagas, no entanto, tem sido sempre muito mais difícil de manipular. Ao que parece, até agora.

De facto, são precisos cerca  de 4000 downloads pagos por dia para se chegar ao top 10 da tabela das aplicações pagas. A $0.99 cada aplicação comprada (o preço mais baixo), dá qualquer coisa como 4000 dólares.

No entanto, se a aplicação custar $999 dólares (o preço máximo permitido pela Apple), são precisos apenas 4 downloads… que podem ser de amigos! Ao seja com um investimento de apenas 30% de $4000 = $1200 (a Apple fica com 30%) por dia consegue-se chegar perto do topo da pirâmide. (Top Grossing)

Depois de estar no topo, recuperar esse investimento é muito fácil. Dependo de como se monetiza a aplicação, e do número de DAU, mas diria que será fácil recuperá-lo em apenas um ou dois dias. A partir daí é só lucro.

Está portanto, descoberto aqui um exploit gigantesco para um growth hacking super agressivo. Não sendo ilegal, é talvez muito pouco ético, dirão alguns. Faz mesmo lembrar o Black Hat Seo, nos tempos áureos do SEO.

Alegadamente, e segundo os boatos que correm pelo fóruns de programadores, um dos primeiros a ter tirado partido deste exploit terá sido um jovem programador “indie” canadiano que usou um template de apenas 10 dólares para o colocar no topo das aplicações pagas!

1474e2c6-e912-4080-8096-d518a5c10352-460x276

O template é o “Red Ball Template” e o jogo o “Red Bouncing Ball Spikes“*. O jogo é péssimo, e ao contrário do Flappy Bird tem bastantes falhas e a jogabilidade é também muito má. Nada está provado nem o autor se veio retratar nesta técnica, o que relato a seguir é apenas inferido a partir da observação do comportamento da aplicação e do cruzamento da variação do preço com a performance nos ranking.

Red-Bouncing-Ball-Spikes-Louis-Leidenfrost-App-Annie

Assim, e segundo a alegada teoria que corre no mundo dos criadores de aplicações, algo semelhante a isto terá acontecido: o preço, inicialmente de $999 (ou semelhante) terá sido alterado imediatamente a seguir aos 4 pagamentos, de modo a que “pareça” que aconteceram, num só dia, 4000 compras de apenas um dólar cada uma. A partir dai, está lançado.

Agressivo? Sem dúvida. Arriscado? Absolutamente. Compensador? E de que maneira! Aconselho? Não. Não desta maneira. Mas há outras…

*Nota: no momento em que escrevo este post, o jogo está gratuito, mas o preço tem variado muito e aqui está outra versão paga, também do mesmo autor, cuja reputação nos fóruns da especialidade não tem andado lá grande coisa.

 

Flappy Bird: growth hacking ou golpe de sorte?

O jogo para telemóveis Flappy Bird conseguiu uma proeza única: conquistar o topo das lojas da Apple e da Google, sem grandes investimentos e ultrapassando empresas multimilionárias. Para os dez jogos do topo, qualquer uma dessas empresas gasta centenas de milhares de dólares por dia em aquisição de novos jogadores.

O jogo, muito simples, consiste em pilotar um pássaro por entre tubos verdes sem lhes tocar. A versão para Android foi descarregada mais de 50 milhões de vezes e tinha mais de meio milhão de comentários. Na loja da Apple o jogo atingiu o top em mais de cem países. Rendeu em média cerca de 30 mil euros por dia em publicidade.

Como foi então que o vietnamita Nguyen Há Dong, autor do jogo, terá conseguido tal proeza?

Flappy_Bird_302182_full

Simplicidade

A nossa atenção é cada vez mais difícil de conseguir. Alguns segundos e, caso não se perceba o modo de funcionar e não haja recompensa rápida, desiste-se imediatamente e passa-se para a próxima coisa. O jogo consegue captar rapidamente a atenção: em 2 segundos estamos a jogar, mais 2 segundos e percebemos como funciona, mais 2 segundos e morremos, criado uma vontade irresistível de tentar de novo. E de novo, e de novo…

Viralidade

like-lifeO jogo é realmente viral… o verdadeiro jogo! O que deu origem a tudo isto: o verdadeiro jogo não é o do pássaro a passar pelos tubos! O verdadeiro jogo, incrivelmente viral é este: “Quem consegue fazer o melhor comentário, o mais engraçado, o mais curioso?”
O jogo menor, o do pássaro, é tão frustrante, mas tão frustrante que deu origem a uma torrente de longos e profundos comentários sarcásticos e irónicos sobre o jogo. Era tão simples que merecia os comentários mais complexos e elaborados. E, nenhum sarcasmo seria perfeito sem a cereja no topo do bolo: pontuação 5 estrelas! E agora, é só mostrar o meu comentário genial aos meus amigos!

Ranking

O algoritmo da Apple, alterado apenas há alguns meses, dá agora muito mais preferência aos comentários, em contra ponto com simples downloads, instalações e pontuações.
A ideia é contrabalançar a compra de downloads e rankings para subir ilicitamente no ranking. Comprar um download e um “5 estrelas” é fácil. Agora comprar um comentário bem estruturado, em Inglês, de vários parágrafos já é muito mais complicado. Isto caiu que nem uma luva para catapultar o jogo para número um.

Targeting

Tudo certo e tudo comum a alguns outros jogos na Apple Store. (Não refiro o Google Play, porque tudo começou no iOS, o Android foi apenas atrás)
Depois de ler e analisar muitos artigos de pro bloggers sobre o jogo, reparei num pequeno pormenor: grande parte deles tinha tido conhecimento do jogo através dos seus filhos! E um filho é algo para o qual a nossa atenção está sempre disponível, acima de quase tudo o resto. É uma porta de entrada fantástica para as personalidades influentes. Além disso, os miúdos têm em geral muito tempo livre para gastar e adoram partilhar com os amigos as últimas novidades (Snapchat..).

Kickstart

Falta, finalmente, a última peça do puzzle: como chegar aos primeiros?
Aqui, é único ponto em que existem dúvidas se Nguyen terá comprado promoção viral inicial. Alguns dados parecem apontar que sim, dado o historial do jogo. Quando foi lançado teve alguns [poucos] downloads e depois praticamente morreu até à altura do férias do Natal. Aí começou o seu crescimento exponencial. Golpe de sorte ou comprado propositadamente, o que é um facto é que resultou. Mas onde terá sido, afinal, recrutada esta promoção inicial?

Bem, esta última dica fica para os meus clientes e quiçá para um próximo post… daqui a alguns meses. Entretanto, podem tentar adivinhar nos comentários em baixo. ;)

Como uma técnica errada de growth hacking, quem nem é growth hacking, pode destruir uma empresa

Começa logo muito mal, ao chamar-se growth hacking aquilo que não é, de todo, growth hacking. A história tem um início num post da Rap Genious no Facebook em que propunha a troca de links for tráfego.

Bastava enviar-lhes um email com o blog e o artigo com os links para a Rap Genious, e eles fariam um tweet sobre esse blog. Nada mais do que a velha escola de criar links à força. Quanto muito black hat SEO, mas nem isso, é mesmo lame SEO.

Há anos que se sabe como o Google tenta descobrir esquemas semelhantes, que se fazem o mais possível à porta fechada. Agora, divulgar assim à boca cheia, é mesmo dar um tiro no pé.

ku-xlarge[1] A notícia espalhou-se, o Google meteu-se a investigar, vieram pedir desculpa, mas já era tarde de mais, o mal estava feito. No entanto e como esta é uma empresa com uma certa dimensão, já se sabe como vai acabar, dada a hipocrisia do Google: uma ou duas semaninhas de penalização e depois volta tudo ao normal. Mas só volta ao normal quando o Google decidir que todos já perceberam a mensagem: portem-se bem ou acontece-vos o mesmo. Pena não revelarem o resto da mensagem: o mesmo não, pior, porque a vocês nunca mais seria levantada a penalização!

Snapchat de portas completamente abertas para o hacking

Depois de terem visto a sua divulgação de segurança ignorada desde Agosto, a empresa australiana Gibson Security publicou agora todos os detalhes de uma API escondida que dá acesso ao conteúdo da Snapchat assim como o código fonte de dois exploits. Agora qualquer um pode facilmente explorar os supostos 8 milhões de utilizadores da popular app.
snapchat-video1[1]
Um dos exploits demonstra como fazer a correspondência de um utilizador do Snapchat a partir de um número de telefone, mesmo que este esteja com as definições de segurança em modo privado. O segundo mostra como fazer o registo em massa de utilizadores falsos que poderão depois ser usados para spam.

Mas são só dois dos exemplos do que se pode fazer com uma API sem limites e com acesso a grande parte do conteúdo. Um hacker malicioso irá sem dúvida tirar partido desta informação para fins menos dignos, mas um growth hacker tem aqui sem dúvida uma verdadeira mina de ouro para fazer crescer o seu projecto usando o Snapchat! Precisa é ser rápido!

Comment Game: será possível transformar um falhanço num sucesso?

Nem só de casos de sucesso se faz um bom artigo. São frequentes os casos de insucesso na web, mas são os raros os artigos a revelarem o que se passou. É da natureza humana, dizem.

Há que ser realista: o lançamento da Comment Game ficou muito aquém das minhas expectativas. Em boa verdade só o divulguei na minha página pessoal do Facebook e no grupo de webmaster de língua portuguesa, mas pensei que seria suficiente para criar algum buzz. Nem um jogo, além dos meus, foi criado.

Uma das minhas grandes reticencias ao lançar este projecto é que não tinha nenhum esquema de growth hacking para o promover viralmente. E ainda não tenho. Publicidade por keywords Adwords é complicado uma vez que não é um nicho. Restam os posts patrocinados. Gastei $10 num deles mas o resultado não foi o esperado, pelo que desisti.

Recebi mensagens privadas de 7 amigos que gostaram muito da ideia e que iriam promover um concurso usando o CommentGame na sua área de negócios “brevemente”. Até hoje, nada.

Até agora já identifiquei já 3 problemas. Do parte dos promotores:

  1. Procrastinação. Solução? Talvez introduzir uma deadline para a oferta gratuita dos passatempos.
  2. Valorização. Bem lembrado por um amigo, é preciso que o promotor entenda como funciona o EdgeRank, o algoritmo de ranking de posts do Facebook para perceber a vantagem de utilizar o CommentGame. Solução? Promover junto das pessoas certas.
  3. Execução. O que oferecer nos concursos? Como escolher, como comprar e como enviar ao ganhador? Dá muito trabalho? Solução? Dar ideias. O grande problema parece ser que, oferecer um produto real, palpável, é muito mais interesse, mas implica muito mais trabalho e despesa, ou não?

    Talvez não. Existem muitos sites de comercio electrónico que permitem escolher uma morada diferente para enviar uma encomenda. No Pixmania por exemplo, permitem fazê-lo. Para valores elevados, exigem um telefonema de verificação de segurança.

    Existem também, como sabem, sites na China com produtos baratos. Os problemas aqui são dois: o tempo de espera, que pode chegar a mais de um mês e a possibilidade – forte para valores acima de 40 euros – de que a sua encomenda fique retida na alfândega. Neste caso terá que pagar uma taxa que pode fazer o valor do produto duplicar.

    E ideias de ofertas? Bom, coisas simples que todos usam e que nunca são demais ou gadgets que têm piada, mas que normalmente nunca compraria mas que não se importava nada se lhe oferecessem são sempre uma boa escolha. Exemplos? Que tal uma coluna 360º para o telemóvel? Ou uma gabardina em forma de fantasma do Pac-man? Um aspirador para teclados ou uma barata solar? Para o Natal, uma árvore de Natal alimentada por USD. Ou um clássico que nunca falha, uma pen USB de 8 Gigas por €4.99! Dá para 2000 músicas, 25.000 fotos ou 25 horas de vídeo!

    Algumas destas oferta custam pouco mais de 5 euros. É comparar e fazer as contas. Investir 10 euros na promoção de um post e outros 10 na compra um destes gadgets para oferecer num concurso. Testar os dois e vez qual trouxe melhores resultados.

    Mas talvez um prémio de 5 euros não seja suficiente para conseguir, da parte dos visitantes, um comentário. Talvez o melhor seja arriscar num prémio maior que irá de facto gerar muito mais viralidade. Quem não se lembra dos famosos posts falsos que ofereciam um iPhone? Porque não arriscar um prémio alto com um Comment Game “o último a comentar ganha”? Se o prémio for bastante aliciante, os comentários podem durar meses!

    Mas também o próprio conteúdo dos comentários de um passatempo pode, por si só, criar viralidade. Cá vai uma boa ideia: Uma vez que estamos quase no Holloween, que tal um concurso de máscaras, agora que no Facebook dá para comentar com fotos? A foto com mais likes leva o prémio!

    Por último, é bom não esquecer que se pode sempre oferecer egoods. Ebooks, ou, por exemplo e no caso de uma página grande no Facebook, oferecer uma publicação na página.

Da parte das pessoas que participam, também penso já ter identificado outros 3 problemas:

  1. Clareza. Dificuldade em entender as regras do jogo. Pensava eu que eram simples: comentar, like no post, aderir ao evento. Mas não. Ninguém adere ao evento e portanto, os comentários não são válidos.
  2. Incentivo. Prémios muito baixos não incentivam a participação.
  3. Atenção. A maior parte das pessoas para de ler quando chega à palavra “concurso ou passatempo”.

Tendo em conta tudo isto, dei por mim a pensar, será que a ideia é descabida? E fui procurar. Em 2011 parece que era o único com essa ideia, mas em 2013, parece que está tudo muito mais atento. Muitos outros, a maior parte já players de longa data na área, também lançaram projectos muito semelhantes. A Woobox, Heyo, TabSite e a gigante KRDS, todos lançaram ferramentas mais ou menos complexas para a gestão de concursos deste género.

Parece portanto, que posso eliminar a parte de “ideia descabida”. Concorrência é bom. Alarga o mercado, chegando a mais pessoas. De uma rápida analise, parece ser a minha a mais completa das ferramentas. Não tenho no entanto, os recursos financeiros para promovê-la, pelo que estou em grande desvantagem à partida.

Como o post já vai bem longo, resta-me concluir: o desafio é grande, e sem uma ideia de growth hacking para a sua promoção, significa que é necessário um bom investimento para vencer a inercia inicial. Nos próximos dias e de acordo com o vosso feedback, tomarei a decisão. Avançar ou dedicar-me a outros projectos. Entretanto vou tentar contactar alguns jornalistas.